Questões de Língua Portuguesa – Concursos Públicos

Publicado: 23 de junho de 2009 em Questões Recentes de Concursos Públicos

LÍNGUA PORTUGUESA

 

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.

 

A percepção pública da ciência é, com razão, repleta de conflitos. Alguns acreditam que a ciência seja a chave para a liberdade do homem, para a melhora das condições de vida de todos, para a cura dos tantos males que afligem pobres e ricos, desde a fome até as mais variadas doenças. Já outros veem a ciência com grande desconfiança e até com desprezo, como sendo a responsável pela criação de várias armas de destruição inventadas através da história, da espada à bomba atômica. Para esse grupo, os homens não são maduros o suficiente para lidar com o grande poder que resulta de nossas descobertas científicas.

No início do século 21, a clonagem e a possibilidade de construirmos máquinas inteligentes prometem até mesmo uma redefinição do que significa ser humano. Na medida em que será possível desenhar geneticamente um indivíduo ou modificar a sua capacidade mental por meio de implantes eletrônicos, onde ficará a linha divisória entre homem e máquina, entre o vivo e o robotizado? Entre os vários cenários que vemos discutidos na mídia, o mais aterrorizador é aquele em que nós nos tornaremos forçosamente obsoletos, uma vez que clones bioeletrônicos serão muito mais inteligentes e resistentes do que nós. Ou seja, quando (e se) essas tecnologias estiverem disponíveis, a ciência passará a controlar o processo evolutivo: a nossa missão final é criar seres “melhores” do que nós, tomando a seleção natural em nossas próprias mãos. O resultado, claro, é que terminaremos por causar a nossa própria extinção, sendo apenas mais um elo na longa cadeia evolutiva. O filme “Inteligência Artificial”, de Steven Spielberg, relata precisamente esse cenário lúgubre para o nosso futuro, a inventividade humana causando a sua destruição final.

É difícil saber como lidar com essa possibilidade. Se tomarmos o caso da tecnologia nuclear como exemplo, vemos que a sua história começou com o assassinato de centenas de milhares de cidadãos japoneses, justamente pela potência que se rotula o “lado bom”. Esse rótulo, por mais ridículo que seja, é levado a sério por grande parte da população norte-americana. É o velho argumento maquiavélico de que os fins justificam os meios: “Se não jogássemos as bombas em Hiroshima e Nagasaki, os japoneses jamais teriam se rendido e muito mais gente teria morrido em uma invasão por terra”, dizem as autoridades militares e políticas norte-americanas. Isso não só não é verdade como mostra que são os fins político-econômicos que definem os usos e abusos da ciência: os americanos queriam manter o seu domínio no Pacífico, tentando amedrontar os soviéticos que desciam pela Manchúria. As bombas não só detiveram os soviéticos como redefiniram o equilíbrio de poder no mundo. Ao menos até os soviéticos desenvolverem a sua bomba, o que deu início à Guerra Fria.

As conseqüências de um conflito nuclear global são tão horrendas que até mesmo os líderes das potências nucleares conseguiram resistir à tentação de abusar de seu poder: criamos uma guerra sem vencedores e, portanto, inútil.

Porém, as tecnologias nucleares não são propriedade exclusiva das potências nucleares. A possibilidade de que um grupo terrorista obtenha ou construa uma pequena bomba é remota, mas não inexistente. Em casos de extremismo religioso, escolhas morais são redefinidas de acordo com os preceitos (distorcidos) da religião: isso foi verdade tanto nas Cruzadas como hoje, nas mãos de suicidas muçulmanos.

Eles não hesitariam em usar uma arma atômica, caso a tivessem. E sentiriam suas ações perfeitamente justificadas.

Essa discussão mostra que a ciência não tem uma dimensão moral: somos nós os seres morais, os que optamos por usar as nossas invenções de modo criativo ou destrutivo.

Somos nós que descobrimos curas para doenças e gases venenosos. Daí que o futuro da sociedade está em nossas mãos e será definido pelas escolhas que fizermos daqui para a frente. (…) Não é da ciência que devemos ter medo, mas de nós mesmos e da nossa imaturidade moral.

 

(Marcelo Gleiser, in Folha de São Paulo, 7 de julho de 2002)

 

1. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) Assinale a opção que apresenta os sinônimos das palavras grifadas nos trechos abaixo.

 

“O filme ‘Inteligência Artificial’…relata precisamente esse cenário lúgubre para o nosso futuro…”

 

“É o velho argumento maquiavélico de que os fins justificam os meios…”

 

“…nós nos tornaremos forçosamente obsoletos …”

 

A) nostálgico – esperado – antiquados;

B) incerto – político – ultrapassados;

C) pessimista – previsível – retrógrados;

D) triste – antiquado – ignorantes;

E) soturno – ardiloso – arcaicos.

 

2. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) Na introdução, o autor apresenta a tese que vai defender. Aponte-a.

 

A) A percepção pública da ciência é repleta de controvérsias: há os que acreditam que ela é a solução para muitos problemas e outros, que, devido à imaturidade moral do ser humano, acreditam que ela pode ser usada para destruir a humanidade.

B) O ser humano, usando os conhecimentos adquiridos através dos tempos, é capaz de causar a própria destruição.

C) As bombas jogadas em Hiroshima e Nagasaki pelas autoridades americanas causaram muita destruição, mas, em contrapartida, foram capazes de redefinir o equilíbrio do poder no mundo.

D) Um conflito nuclear global teria conseqüências terríveis para a humanidade.

E) Devido à imaturidade moral da raça humana, num futuro próximo, a clonagem e as novas tecnologias transformarão a imagem daquilo que concebemos com ser humano em seres obsoletos.

 

3. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) Em “…o mais aterrorizador é aquele em que nós nos tornaremos forçosamente obsoletos…”, o pronome nós se refere:

 

A) aos médicos;

B) aos cientistas;

C) aos políticos;

D) aos seres humanos;

E) às autoridades militares e políticas norte-americanas.

 

4. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) Indique a opção INCORRETA com relação ao texto.

 

A) O autor duvida de que as novas tecnologias capazes de transformar o ser humano em robô estejam disponíveis.

B) O conhecimento científico é manipulado pelos governos de acordo com seus próprios interesses.

C) Mesmo os líderes de potências que detêm o conhecimento nuclear temem o poder de destruição de suas armas.

D) O autor reconhece como justificados apenas os atos cometidos em nome da religião.

E) O conhecimento científico depende, para o bem ou para o mal, do uso que fazemos dele.

 

5. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) Na frase abaixo, se flexionarmos o primeiro verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo, para mantermos a coerência verbal, o verbo passar deverá assumir a seguinte forma:

“…quando (…) essas tecnologias estiverem disponíveis, a ciência passará a controlar o processo evolutivo…”

 

A) passaria;

B) passasse;

C) passava;

D) passar;

E) passara.

 

6. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) Indique a opção que apresenta correta e respectivamente as classes gramaticais a que pertencem as palavras grifadas no trecho abaixo.

Se tomarmos o caso da tecnologia nuclear como exemplo, vemos que a sua história começou com o assassinato de centenas de milhares de cidadãos japoneses, justamente pela potência que se rotula o ‘lado bom’.”

 

A) conjunção – pronome – artigo – conjunção – pronome;

B) conjunção – conjunção – artigo – pronome – pronome;

C) pronome – pronome – artigo – pronome – conjunção;

D) pronome – conjunção – preposição – conjunção – pronome;

E) conjunção – pronome – preposição – pronome – conjunção.

 

7. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) No período “As conseqüências de um conflito nuclear global são tão horrendas que até mesmo os líderes das potências nucleares conseguiram resistir à tentação de abusar de seu poder…”, a palavra grifada introduz uma oração classificada como:

 

A) subordinada adjetiva restritiva;

B) subordinada adjetiva explicativa;

C) subordinada substantiva objetiva direta;

D) subordinada adverbial causal;

E) subordinada adverbial consecutiva.

 

8. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) Assinale a opção que substitui o trecho grifado sem alteração de sentido. “Entre os vários cenários que vemos discutidos na mídia, o mais aterrorizador é aquele em que nós nos tornaremos forçosamente obsoletos, uma vez que clones bioeletrônicos serão muito mais inteligentes e resistentes do que nós.”

 

A) já que;

B) por conseguinte;

C) ainda que;

D) posto que;

E) apesar de que.

 

9. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) Em “Eles não hesitariam em usar uma arma atômica, caso a tivessem.”, a oração adverbial grifada expressa idéia de:

 

A) conformidade;

B) proporção;

C) condição;

D) finalidade;

E) concessão.

 

10. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) Em “Essa discussão mostra que a ciência não tem uma dimensão moral: somos nós os seres morais, os que optamos por usar as nossas invenções de modo criativo ou destrutivo.”, identificamos:

 

A) silepse de número;

B) silepse de pessoa;

C) silepse de gênero;

D) pleonasmo;

E) elipse.

 

11. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) Passando a frase abaixo para a voz ativa, encontramos a forma verbal:

“Esse rótulo, por mais ridículo que seja, é levado a sério por grande parte da população norte-americana.”

 

A) levará;

B) levaria;

C) leva;

D) levasse;

E) levara.

 

12. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) A palavra grifada no trecho “…tentando Amedrontar os soviéticos…” é formada pelo processo de:

 

A) derivação prefixal;

B) derivação sufixal;

C) derivação parassintética;

D) composição por justaposição;

E) composição por aglutinação.

 

13. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) Assinale a opção que completa corretamente as lacunas da frase abaixo.

Ainda hoje, no Japão, ____ cerca de 350 mil pessoas que, na época, ficaram expostas ___ radiação gerada pela explosão das bombas. Essas pessoas, ____ que o texto se refere, sofrem de males causados pela inconseqüência dos americanos.

 

A) à – a – à;

B) a – à – à;

C) a – à – a;

D) há – a – a;

E) há – à – a.

 

14. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) No período abaixo, dois termos grifados apresentam a mesma função sintática. Aponte os.

" As bombas não só detiveram os soviéticos como redefiniram o equilíbrio de poder no mundo. Ao menos até os soviéticos desenvolverem a sua bomba, o que deu início à Guerra Fria”.

 

A) As bombas – o equilíbrio;

B) o equilíbrio – a sua bomba;

C) no mundo – à Guerra Fria;

D) os soviéticos – à Guerra Fria;

E) o equilíbrio – os soviéticos.

 

15. (FUNCAB-2009/SESAU-RO/ECONOMISTA) Assinale a opção INCORRETA quanto à concordância verbal, de acordo com a norma culta da língua.

 

A) Mais de uma cidade foi bombardeada no Japão em1945.

B) O ódio e a guerra que declaramos aos outros nos gasta e consome a nós mesmos.

C) A ignorância ou errada compreensão da lei não o eximem de pena.

D) Cada um dos concorrentes devem preencher corretamente as fichas de inscrição.

E) Eram oito horas da manhã quando as bombas explodiram.

 

 

 

 

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